sexta-feira, 20 de maio de 2011

Até quando...

Até quando desejaremos
Nos aquecer no calor do sol
E ele não nos queimará?
Até quando ouviremos
O canto do rouxinol
Ou sua espécie se extinguirá?
Até quando veremos
As flores colorindo a paisagem
Ou a terra se desertificará?
Até quando refletiremos
No lago calmo a nossa imagem?
Até quando ouviremos
O rio cantar de alegria?
Até quando nos saciaremos
Na delícia de sua água fria?
Ou nos mataremos
Quando essa riqueza escassear?
Até quando o céu chorará
Suas lágrimas de chuva sobre a terra?
Até quando a terra fecundará
E dará o fruto que o se ventre encerra?
Ou a terra de tão estéril suas entranhas exibirá?
Até quando respiraremos
O ar que nos mantém a vida?
Ou seremos mutantes
Capazes de não perecer ao veneno respirar?
Até quando viveremos
Trabalhando para além da comida?
Ou consumiremos até o fim
Os recursos de sobrevivência da vida?
Até quando olharemos o humano
E ainda nos identificaremos como espécie?
Ou o nosso caminho é tão insano
Que retrocederemos ao agir
Instintivo dos irracionais?
Até quando diremos do amor
Como remédio para toda ferida?
Até quando acreditaremos
Que sem mudança haverá saída?
Ou já perdemos a esperança
E nos lançamos numa trajetória suicida?
Até quando ainda riremos
Das gracinhas das nossas crianças?
Ou se elas deixarem de existir
Nossos velhos é que rirão
Das nossas lambanças?
Até quando ainda sobreviveremos
Até nos tornarmos apenas lembranças?
Até quando?

Rosangela Prado

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