quinta-feira, 28 de abril de 2011

Nas madrugadas

Nas madrugadas frias de inverno
Eu costumava abrir a janela
Olhar o céu cheio de estrelas
E a lua clara inspirava meus versos
O tempo passou...
Já não abro a janela
E a lua?
Já não procuro por ela
Sei que clareia...
E enquanto eu durmo
Ela passeia...

Rosangela Prado

Vento vadio

Vento vadio
Sempre arredio
Louca, loucura
Que me transfigura
Cínico olhar
Forma vulgar
Estranho atavio
De brilho sombrio
Fora da estação
O fruto temporão
Súbita emoção
Na casa da ilusão
Grande tempestade
Pura vaidade
Luz de lamparina
Efeito de aspirina
Uma forma amena
De driblar a gangrena
Cama de gato
Caixa de sapato
Forte embaraço
Causa o estilhaço
Lua menina
Leve dançarina
Palco estrelado
Com dia marcado
Texto rasurado
Sonho adiado

Rosangela Prado

Voce se foi...

Voce chegou
Querendo ir embora
Voce se foi
Com o desejo de ficar
Nesse intervalo...
O que mudou o teu olhar?
O que te encantou?
O que te fez ter vontade de ficar?...
Voce se foi
E deixou seu coração
No mesmo lugar
Onde insistia em não colocar
Voce se foi
E a solidão foi sua companheira
Nas tuas noites
De felicidade passageira
E hoje quando chora de saudade
Vê o coração que não pode tocar
E hoje quando chora de saudade
Vê seu coração pulsando no mesmo lugar.

Rosangela Prado

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Na estação

Passageiros de muitas viagens
Têm nas mãos suas passagens
Vão e vêm diante de mim
É o começo...Quem sabe o fim
De uma vida,um amor talvez...
Adeus que em lágrimas se fêz
Entre tantas faces anônimas
Quais palavras que são sinônimas
Vejo um rosto desfeito em prantos
Qual a dor de quem sabe quantos...
Tanta mala, tanta bagagem
Um caminho certo ou sondagem
Destinos que estão sendo escritos
Gente simples erguendo seus mitos
Tantos rostos que não se repetem
São segredos que não me competem
O engraxate que conta histórias
Se gabando de suas vitórias
Enquanto uma voz anuncia
Outra jornada que se inicia
Lentamente vai raiando o dia
Que dispensa do posto o vigia
Enquanto uns seguem o coração
Outros esperam sentados
Nos solitários bancos da estação

Rosangela Prado

Carne e osso

Carne e osso
Nervos e coração
Lembranças dentro de um fôsso
Murmúrios virando canção
Lágrimas que escapam
Da prisão da emoção
São pontos que arrematam
Uma vida com paixão
Sonhos desenhados
Na folha em branco do porvir
São desejos articulados
Esperando o momento de partir
Palavras que foram proibidas
Ecoam solitárias na lembrança
Memórias que foram coibidas
Hoje lideram uma mudança
A ausência antes sentida
Hoje preenche os espaços
Liberando a presença inibida
Que desenho com os seus traços

Rosangela Prado

terça-feira, 26 de abril de 2011

Alma de poeta

A alma do poeta canta e se alegra
Quando as palavras começam florescer
Quando o coração a si mesmo se entrega
Deixando a inspiração nascer
É uma fonte fluindo no deserto
Molhando a aridez das palavras desnutridas
Que sem emoção agonizam por certo
Como sementes num canto esquecidas
Mas a brisa morna que sai das lembranças
Invade o jardim da memória
Fazendo exalar o perfume
Que só a saudade consegue sentir
O poeta canta o que existe e o que inventa
Brinca com as palavras que domina
Cria fantasias e delas se alimenta
Se apaixona pelas coisas que escreve
Pois o amor pelas palavras
Faz com que elas cantem ao seu ouvido
A música que seu coração quer ouvir

Rosangela Prado

Pouso forçado

Fiz um pouso forçado
Um momento trancado
Sem opção
Enquanto aprendo o silêncio
Desaprendo o sorriso
Com as palavras na mão
Deixo fluir os rios
Nascentes dos meus olhos
Na esperança que levem
Que lavem,que curem...
Releio capítulos desse livro
Cheio de  histórias vividas e inventadas
Com o pretexto de serem contadas
De serem cantadas
Relidas, aprendidas e esquecidas
Como águas que passaram
E não foram represadas
Como o espelho que reflete
A paisagem que deixo prá trás
Meus olhos refletem
O que vou desenhando
Ao longo do caminho
Que vou percorrendo


Rosangela Prado

Ainda em sonhos

Ainda em sonhos posso avistar
Do outro lado da cêrca
O lugar que tive que deixar
Ainda em sonhos posso caminhar
Por entre as árvores do passado
E minhas lembranças resgatar
Ainda em sonhos me vejo naquele lugar
Onde a felicidade prometeu nunca me deixar
Ainda em sonhos posso vislumbrar
Através da mesma cêrca
O que ninguém nunca vai me tirar

Rosangela Prado

domingo, 24 de abril de 2011

Serenou

Serenou,serenou
Durante a madrugada
A terra toda cantou
Como se estivesse embriagada
As pequenas gotas de orvalho
Deitadas sobre uma rosa
Falam da sua breve existência
Cantada em verso e prosa
As águas que correm da fonte
Rápidamente vão se embora
Fogem rumo ao horizonte
Tentando esquecer de outrora
O dia assim se inicia
É mais um despertar
No ar uma voz anuncia
Mais um dia pra eu te amar

Rosangela Prado

sábado, 23 de abril de 2011

Mais que um retrato

Visto minha emoção
Com a côr deste céu
Liberto meu coração
Como menino ao léu
O vento passa e leva
Pequenas flôres e fôlhas
A vida sabe o reserva
Dentro das minhas escolhas
Solto o riso que prendo
Na solidão do meu quarto
Da vida sei o que aprendo
Guardando mais que um retrato

Rosangela Prado

Pra voce

Vou plantar uma árvore pra voce
No quintal da minha alma
E quando na primavera ela florir
É pra voce que as flores vão se abrir
Vou chorar uma lágrima por voce
É de saudade que ela vai correr
Deixando um rastro na memória
Que não consegue te esquecer
Vou guardar um sorriso pra voce
Um sorriso que ninguém conheceu
E que por ser só seu
De outros se escondeu
E quando o tempo passar
E pra traz voce olhar
Verá que tem muito do que se lembrar
De uma história que não tem pra contar

Rosangela Prado

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Lua nova

Lua nova
Tráz novidade
Põe à prova
Minha saudade
Tráz o fruto
Tráz o encanto
Tráz o surto
Tráz o espanto
Lua nova
Na colheita
Se reprova
Quando enfeita
E quando enjeita seu olhar
Tão atrevido
De um brilhar
Tão destemido
Lua menina
É fantasia
Cristalina
Anestesia

Rosangela Prado

Céu azul

Céu azul
Olhar profundo
Ventos do sul
Girando o mundo
Berço da saudade
Aquecido com o amor
Céu de tempestade
Cântico de dor
Longo inverno
É a solidão
Conflito interno
No coração
Forte como um rio
Correndo pro mar
É o desafio
De aprender a amar

Rosangela Prado

Côrro...

Côrro
Subo o môrro
Quase morro
Grito por socôrro
E na noite escura
Vejo com ternura
A sua figura
Escura
Caio
Me levanto e saio
Fujo como um raio
Solto o meu grito
Sigo o meu rito
Fito o infinito
Aflito
Canto
Com espanto
Quase acalanto
Quase te encanto
Na noite calado
Quase apagado
Bicho domado
Amado

Rosangela Prado

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Pedra

Pedra que quebra
O mar
Quando se quebra
De amar
Pedra que rola
Rolando,levando
Cantando,sentindo
Mentindo,iludindo
Pedra que quebra
Coração de pedra
Não quer se quebrar

Rosangela Prado

Nesta estação

A chuva que rega
Meu coração nesta estação
Faz florir os sonhos
Que com insistência
Há muito tempo semeei
Eles vêm risonhos
Brilham mais que sonhos
No afogueado brilho do teu olhar
Eu não sei por quanto irão florir
Eu só sei que nesta estação
Todas as noites comigo
Eles vêm dormir

Rosangela Prado

terça-feira, 19 de abril de 2011

Andorinha

Voa andorinha
Não voa sózinha
Busca teu parceiro
Lá no pessegueiro
Canta, como canta o rio
Canta no seu desvario
Ama com ama a lua
Quando se mostra nua
Beija,como beija o vento
Sem consentimento
Vive, como a natureza
Que em sua beleza
Doa o seu dom mais puro
Seu porto seguro
Vive essa verdade assim
Voando livre enfim

Rosangela Prado

olhar marcado

Quer no silêncio da minha alma
Quer no barulho da multidão
É a tua lembrança que acalma
Os vendavais do meu coração
Eu te persigo pelo tempo
Que não pode alterar a história
Eu te busco num momento
Guardado pra sempre na memória
Teu olhar passou apressado
Nem mesmo buscava o meu
Mas como se tivesse um encontro marcado
Meu olhar o reconheceu
O rubor veio ao meu rosto
Denunciando meu coração
Não era só questão de gôsto
Era início de uma nova estação
Foi como nascente de um grande rio
Como semente na terra fria
Foi como espantar o frio
Onde o fogo não mais ardia

Rosangela Prado

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Janela

Numa janela
Sem paisagem
Sem céu azul
Apenas tocada
Por ventos saudosos
Vindos do sul
Janela fechada
Saída aberta
Pro sonhador
Apenas molhada
Quase encharcada
Por lágrimas de dor
Uma janela
Pedaço de vidro
Olhar inquebrável
Apenas um ponto
Miragem perdida
Num mundo intocável

Rosangela Prado

Numa onda

Uma longa estrada nua
Sem placas de sinalização
Um novo caminho se insinua
Pra dentro do meu coração
Entre rios e pedras
E passos e regras
Entre idas e vindas
Distâncias infindas
Numa canção,numa onda
Num sentimento surfando no ar
Eu sintonizei voce

Rosangela Prado

Quando...

Quando despi meu Deus
Das vestes da religião
Eu pude vê-Lo melhor
Quando despi meu coração
Das vestes do medo e da covardia
Eu pude compreender
O fogo que no meu peito ardia
Quando despi meu amor
Das vestes do falso pudor
Eu pude ser livre
Pra escrever e me expor

Rosangela Prado

Sol a meia- noite

Eu vi meu sol se pôr ao meio-dia
E o meu peito desatar numa sangria
Eu vi a paz voar para o infinito
E a angústia se ajustar ao meu grito
Enquanto lágrimas rolavam perdidas
Minhas esperanças foram vendidas
Calei o canto  e a fonte de harmonia
E num instante me esqueci de tudo que sabia
Vi meu coração sofrer o desalento
E como louco debater meu pensamento
A cada dia se esvaía minha alegria
Era esmagada por palavras que eu não dizia
A verdade contra a parede me arremessava
E eu sentia a morte que me ameaçava
O sonho como um pesadelo me agredia
A realidade com suas tantas caras me iludia
E já cansada de levar tanto açoite
Vi meu sol nascer à meia-noite
E entre as nuances de um amanhecer
Vi enfim,minha vida renascer

Rosangela Prado

domingo, 17 de abril de 2011

Velha árvore

Pelas tuas folhas mortas
Vejo frases que não contam mais
Pelas tuas sombras tortas
Vejo a história dos ais
Nas frias noites em que se cala
Como se pudesse usar a fala
Na brisa teu perfume exala
Mostra que é forte e não se abala
Mas as marcas no teu corpo
Falam do que já sofreu
Neste teu passado torto
O que a vida já te deu
O silêncio é o teu castigo
E o chão tua prisão
O sol é o teu melhor amigo
E o vento tua paixão
No inverno ficas nua
Em tamanha contradição
De noite te beija a lua
De manhã meu coração

Rosangela Prado

Ei você !!

Ei você!Olhe pra mim
Apenas me diga o que você vê
Um rosto cansado,talvez mais marcado
Por linhas profundas que não desenhei
Ei você!olhe os meus olhos
Que tanto já viram,agora sem brilho
Estão embaçados de tanto chorar
E o meu sorriso,que um dia sem siso
Agora é tão sério, sem nenhum mistério
E os meus cabelos aos poucos desistem
E já nem insistem
Em terem a cor e o brilho do sol
Meu corpo cansado e desarmado
Já está enfadado de luas andar
Ei você! Olhe pra mim
E veja que o tempo não deixa passar
Ele leva consigo invernos e verões
Colhendo as flores e os frutos das estações
Cedo abro a janela
E o sol já está lá
E quando chega a noite apressada
Já existem milhões de estrelas por lá
O tempo toma, o tempo dá
E ao que nos tira acrescenta
De tudo o melhor que há
É ver o novo dia que se apresenta

Rosangela Prado

O sol

O sol que movimenta o calendário
Com seu jeito de guerreiro legendário
Leva consigo minha vida
Enlaçada em sua viagem destemida
Às vezes me assusta o futuro
Com seu jeito de menino inseguro
Nunca diz antecipado
O que pra mim tem guardado
E o espelho que me nega a ilusão
Com seu  jeito de quem pode dar lição
Me abre os olhos pra eu ver a realidade
Mas não me conta seu segredo de verdade
E o amor que não faz  previsão
Com seu jeito de quem inspira uma canção
Me apanhou de surpresa no caminho
Sem me dizer que vai embora bem cedinho

Rosangela Prado

Alvorecer

Esperei o alvorecer
E com ele a sua luz
Esperei o entardecer
E o som que ele produz
Quiz a paz do céu anil
Quiz a calma de um olhar
Quiz a ave que fugiu
No infinito a voar
Quiz o sonho mais bonito
E impossível de se realizar
Quiz o brilho mais distinto
Que o da estrela a brilhar
Era um nome tão  pequeno
E tão fácil de guardar
Era o rosto mais sereno
E mais gostoso de se olhar

Rosangela Prado

sexta-feira, 15 de abril de 2011

As cartas

As cartas que escrevi
Nas linhas do pensamento
As palavras que fingi
Pra esconder um sentimento
São páginas da história
Que o mundo não conheceu
Mas que guardo na memória
De um coração que sobreviveu
Insano, insensato,quase um desacato
Esse amor entrincheirado
Acuado, intimidado a não ser fato
Mas com tato esgueirado
Embrulhado pra ser descartado
Mas com jeito acomodado
Pra não ser incomodado
Apenas latente pra ser perpetuado.

Rosangela Prado

Andanças do meu coração

Com o peito todo rasgado
Uma chaga quase sem cura
Com o olhar quase apagado
Me achava nessa loucura
A alma embebida na lembrança
De um olhar que eu não pude esquecer
Vendo a cada dia morrer a esperança
Vendo a cada dia aumentar meu sofrer
Meu coração um menino teimoso
Se rebelava em suas andanças
Me seduzia com seu jeito dengoso
Assinava suas próprias mudanças
Desolado sem poder se emancipar
Deu seu jeito de me enganar
Encarcerou um sentimento dentro de si
Enquanto prometia não mais se apaixonar

Rosangela Prado

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Longos dias de solidão

Entre folhas caídas e trilhas formadas
Desenhei meu sonho,sonhei acordada
Nos galhos das árvores,no salto mais alto
Na terra vermelha,nas pistas de asfalto
No vôo mais livre,na estrela mais brilhante
No sorriso mais perto,no olhar mais distante
Vivi tantas vidas,visitei tantos lugares
Troquei tantas roupas entre tantos olhares
Tantos personagens quantos eu pudesse criar
Era uma criança feliz no quintal a brincar
Mas derepente me fiz mulher
Deixando a menina num lugar qualquer
Descobri o amor e a paixão
Conheci os segredos do coração
E minhas asas se abriaram
E cedo demais descobriram
Que eu poderia voar
Pra onde o meu sonho pudesse me levar
Me vesti de fantasia
Pra fugir do que eu temia
Escondi meu coração
Pra não ter desilusão
Mas por ela fui alcançada
E quando se esvaziou meu coração
Encontrei no fim da estrada
Longos dias de solidão

Rosangela Prado

Luminária

Luminária
Luz precária
Luz que aguenta
Luz que esquenta
A placenta
Que alimenta
O sonho que arrebenta
O coração
Na noite escura
Mas com ternura
Com brandura
Sopra a brisa
Que ameniza
Que alisa
Que amortiza
Que exorcisa
Meu sofrimento

Rosangela Prado

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Foi um rio

Foi um rio que passou
Tão rápido não percebeu
Pela margem onde passou
Uma flor que não conheceu
Passou e não a viu
Seu perfume não sentiu
Nem notou as lindas cores
Que ao passar ela exibiu
Não perguntou o seu nome
Talvez até já o soubesse
Como alguém que um telefone
Guarda e jamais esquece
Esse rio a levaria
Por onde quer que passasse
Em seu leito ela seguiria
Mesmo que jamais retornasse

Rosangela Prado

Quando seu olhar se foi

Caminho na multidão
Buscando um só olhar teu
Em meio a rostos tão estranhos
Eu busco um só olhar que foi meu
Pedi emprestado à lembrança
O olhar que um dia eu vi
Sem poder dar meu olhar por fiança
Eu apressadamente fugi...
Teu olhar se foi
E deixou meu olhar sem saída
Voando como um pássaro perdido
No vazio buscando guarida

Rosangela Prado

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Olhos audaciosos

Olhos audaciosos
Capazes de acreditar
Que o horizonte tão longe é aqui
E que se pode nas nuvens pisar
Lábios vermelhos que escondem
A dor que não podem contar
Sorriem ainda que zombem
As lágrimas que os fazem chorar
Rosto faceiro de menina,mulher
Ar de quem sabe o que quer
Ar de criança perdida
Que na distância foi esquecida
Olhos que negam o que vêem
Lábios que calam o que sabem
Rosto que esconde o que sente
Corpo que sofre e não mente
O olhar se perdeu no horizonte
A voz o silêncio rompeu
O rosto revelou sua fonte
E o corpo em paz adormeceu

Rosangela Prado

Quem sabe amanhã

O sol se despede
E leva consigo um pedaço de mim
Mais uma página virada
Oportunidade que se vai
De se fazer o que se quer
E o que se deseja
A noite vem...
Trazendo consigo solidão
E no silêncio do meu quarto
A esperança se acende
Um nôvo dia vai nascer
E quem sabe amanhã
Eu tomo café com voce
Quem sabe amanhã
De manhã..

Rosangela Prado

domingo, 10 de abril de 2011

Destino

Tão simples como a página de um livro virar
Tão inseguro como as linhas por escrever
Tão certo como estrela e luar,praia e mar
Tão profundo como o que não se pode entender
Tão fácil como rasgar um véu
Tão louco como travessura de menino
Tão difícil como encontrar o limite do céu
É decidir com uma palavra um destino

Rosangela Prado

Céu de agosto

Era apenas um céu azul
Era apenas um céu de agosto
E dentro da minha memória
A saudade desenhava teu rosto
Com traços tão certos
Que por certo
Tão perto parecias estar
Mas tua  presença era ausência
Que as lágrimas não podiam amenizar
Pequenas coisas que vejo
Pequenas coisas que faço
Fazem do meu desejo
Uma música fora do compasso
Tua lembrança eu abafo
Nos murmúrios do meu dia
Pra calar meu desabafo
E esse amor que me assedia

Rosangela Prado

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Eu descobri...

Eu descobri
Que o que me une a ti
Não é o que falo
Mas o que calo
Eu descobri
Que posso beijar tua alma
Quando teu coração se acalma
E me convidas a entrar
Eu descobri
Que posso ler teus segredos
Quando me confessas teus mêdos
E te expões sem nenhuma vergonha
Eu descobri
Que posso cantar tua canção
Apenas com o meu coração
Sem que haja nenhuma palavra ou som
Eu descobri
Que o silêncio é o nosso maior diálogo
Pois traduz o que ninguém ouve
E sentencia para sempre
Palavras que jamais serão ditas

Rosangela Prado

Teu olhar

Teu olhar caiu dentro de mim
E explodiu meu coração
Sem ter provado algo assim
Dei total aprovação
Uma avalanche como esta
Me deixou desconcertada
Foi como ir à uma festa
Sem ter sido convidada
Agora sou como animal laçado
Acuado,sem ter como fugir
Desse teu olhar alado
Que insiste em me possuir
Quando de olhos cerrados
Posso o ontem relembrar
Vejo momentos atados
Dentro do teu olhar

Rosangela Prado

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Eterno instante

Sem a emoção
Correndo nas veias
Vejo meu coração
Envolto em teias
De um brilho estranho
De um olhar distante
Um tom de castanho
Eterno instante
Sonho e desejo
Estrela e mar
Estalar de um beijo
Sem poder beijar
Grão de areia
Brilho estelar
Sol que rodeia
O meu brilhar

Rosangela Prado

Caiu...

Caiu da casa o telhado
Caiu por terra o meu passado
Só a lembrança na memória
Pra registrar a história
Naquele lugar
O mato cresceu
O pato morreu
O lago secou
Nada ficou
Não sobrou nada
Só esta estrada
Mal sinalizada
Dentro de mim
Da menina
Ficou a mulher
E dos sonhos de anelina
A vida que se quer

Rosangela Prado

Virtude

Dizer a palavra certa
Com certeza é uma virtude
Fazer a coisa certa
É virtude de atitude
Alcançar o infinito
É sonhar realidade
Não fazer do azul um mito
É alcançar felicidade
Conhecer a noite e o dia
É a certeza de aprender
É alcançar sabedoria
A cada dia que viver

Rosangela Prado

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O caminho dos ventos

O caminho dos ventos
Não sou eu quem traço
Não são meus teus pensamentos
Nem do meu corpo teu abraço
Como o sol a cada dia
Encontra o seu caminho
Assim a cada dia reencontro o teu ninho
Me aninhando de mansinho
Como um frágil passarinho
E sem conseguir entender
Quanto mais te tenho
Mais tenho que te perder

Rosangela Prado

Meu jeito de amar

Amor perfeito
Feito de um jeito
Sem jeito
Mal ou bem feito
Cantando calado
O canto abafado
Do amor desejado
Deixado de lado
O rosto risonho
Vestido de um sonho
Que sobreponho
Ao medo medonho
Daquilo que fujo
Do limpo e do sujo
Mar e marujo
Segredo de caramujo
Céu e luar
Praia e mar
Viver e sonhar
Meu jeito de amar

Rosangela Prado

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Enquanto houver...

Enquanto houver sol
Enquanto houver lua
Enquanto houver meninos
Brincando na rua
Enquanto houver noite
Enquanto houver dia
Enquanto houver...
João e Maria
Enquanto houver céu
Enquanto houver vento
E folhas soltas ao léu
Bailando como o pensamento
Enquanto houver canto
E da mulher o encanto
E houver canção
Brotando como erva no chão
Enquanto houver a sorte
Brincando com a morte
E houver vida
Sarando a ferida
Enquanto houver...
Voce e eu...
Haverá sempre um silêncio nos unindo
Num lugar qualquer

Rosangela Prado

domingo, 3 de abril de 2011

Quadro inacabado

Assaltaram minha alma
Em noite escura sem lua
Levaram-me toda a calma
Deixaram-me por dentro nua
Sugaram-me todos os sonhos
Beberam todos os meus risos
Deixaram fantasmas medonhos
Vestidos como narcisos
Na pele ficou só o frio
De um corpo abandonado
Deixado qual no feitio
De um quadro inacabado

Rosangela Prado