Quero ver-te nas águas claras
No verde suave das matas
Nas côres das araras
No branco das cascatas
Quero ver-te nos passarinhos
Na paz dos mananciais
No som dentro dos ninhos
Na beleza dos animais
Quero ver-te nas planícies
E nas côres de suas flôres
Como doces superfícies
Destinada aos amores
Quero ver-te na distância
Do horizonte já tingido
E sentir-te na fragrância
De um perfume não fingido
Quero ver-te no que resta
Do paraíso que criaste
Onde ainda tem floresta
Que resiste ao devaste
Quero ver-te na beleza
Que insiste em ficar
Nos mistérios da natureza
Que não puderam decifrar
Quero ver-te na cidade
Onde o homem foi morar
E em toda felicidade
Que ele é capaz de desejar
Não quero ver-te como toda gente
Mas além dos olhos do mundo
No interior de cada semente
E além do mar profundo
Quero ver-te em toda parte
E onde nem sempre querem ver-te
E quero sempre amar-te
Sem jamais poder esquecer-te
Rosangela Prado
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